No dia 13 de março foi publicado o despacho do juíz, que determinava que o perito designado para meu caso iniciasse seu trabalho. Hoje, quase três meses depois, ainda aguardo.

Depois de conversar com meu advogado, vamos registrar uma petição para que seja estabelecido um prazo para que a perícia seja, finalmente, realizada. Penso que o prazo deveria ter sido estabelecido pelo juíz junto com o despacho, mas vamos lá. Outra alternativa é pedir um outro períto.

O problema…claro que há problema…é que, se o juíz mudar o perito, corro o risco de ter que esperar mais três meses, no mínimo, até o novo perito se manifestar. Enquanto isso, lá se iria quase meio ano esperando o processo se desenrolar.

Adoro essa velocidade da nossa Justiça.

Fui levar meu Sandero para fazer a revisão de um ano. A última revisão havia sido em junho de 2014, pelos 30 mil km. Não tenho rodado muito e o carro fica bastante tempo parado. Não cheguei nos 40 mil, mas marquei a revisão para abril pois não teria tempo para levar com um ano exato, em junho. Pensei que seria melhor antecipar para não correr riscos com essa maldita garantia.

Deixei o carro de manhã e saí rapidamente para trabalhar. Dalí uma hora recebo a ligação da oficina da Renault. Precisaria trocar a correia (R$ 1744), bomba d’água (R$ 300), líquido de arrefecimento (R$ 180), além do tradicional alinhamento e balanceamento (R$ 130). Total da brincadeira? Quase R$ 2,4 mil. Hein?? (percebo agora que não mencionaram troca de óleo)

Liguei para a oficina para entender o motivo. Como o carro ainda não havia atingido 40 mil km, e mais, como havia rodado muito pouco desde a última revisão, estava assustado com o valor, embora nada mais deveria me surpreender nessa questão de garantia de carro e por ser um serviço Renault.

Após alguns minutos aguardando na linha e escutando o intenso movimento na sala de atendimento, eis a resposta: “Recomenda-se a troca desses ítens com 4 anos”.

Quatro anos? Meu carro tem apenas dois. Também, como não havia chegado nos 40 mil km, era necessário trocar tudo isso mesmo assim?

“Pois então, essa é quarta revisão do veículo”

“Sim, a quarta revisão não quer dizer que o carro tenha 4 anos. Apenas que eu rodei muito no começo e fiz as reviões de 10, 20 e 30 mil km antes de um ano cada”.

“Um segundo, deixa eu verificar”.

Depois de um minuto verificando a documentação, talvez algo que a pessoa deveria ter feito quando o carro chegou à oficina, percebeu que, de fato, como o próprio dono do veículo havia afirmado, o Sandero não tinha quatro anos. Tampouco havia chegado nos 40 mil km.

“Realmente senhor, então não precisa trocar essas peças ainda”.

Um desavisado teria trocado. Teria saído no prejuízo. Eu, como já estou com os dois pés atrás em relação a Renault, passei o assunto a limpo.

Agora decidi esperar. Havia esquecido que posso passar um mês além da data da última revisão. Pelo menos isso a pessoa me explicou. Vou, então, levar o carro somente em julho. Ganho um pouco mais de tempo. E agora sem a facada de trocar peças que não eram necessárias trocar e mais antento ainda para explicar ao atendimento da próxima vez, de maneira detalhada, que o carro não tem quatro anos.

Depois da desistência, entrei na internet para pesquisar valores das peças que me disseram que seria necessário trocar. Ainda que tenham embutido o preço da mão de obra, olhem a diferença:

– Correia: o kit original mais caro que achei não passava de R$ 600, embora para um Renault Sandero um kit original pode ser encontrado por não mais que R$ 400. Mesmo que o valor da mão de obra seja o mesmo preço do produto, o que nunca é, ainda assim não chegaria nos R$ 1700 que a oficina queria me cobrar.

– Bomba d’água: R$ 200 também o mais caro que achei, original e zero. R$ 100 a menos do que o cobrado pela oficina.

– Alinhamento e balanceamento: em oficinais boas, de minha confiança, com equipamentos modernos e tudo, faço pela metade do preço.

– Fluído de arrefecimento: os mais caros giram em torno de R$ 90, não o dobro. O Renault Elf Boutique, sai por R$ 65. Na média, não passa de R$ 35. A oficina queria me cobrar R$ 180.

Como disse antes, em nome da ‘garantia’ da fabricante, fico preso à oficina autorizada, pagando o dobro, ou muito mais, por qualquer produto ou serviço. Acabo pagando, e caro, por essa dita garantia.

Há pouco mais de um mês a juíza determinou que um perito avaliasse meu carro. Ele pediu R$ 3 mil pelo serviço. Para uma perícia não tão complicada assim, o valor é alto. Por isso meu advogado entrou com um pedido pela redução do valor. Ao mesmo tempo, solicitou o que chamam de ‘reversão do ônus da prova’. O direito do consumidor, aquele mesmo que a Renault ignorou solenemente, prevê que empresas de grande porte podem arcar com esse tipo de custo, uma vez que visa facilitar a produção de provas. Agora é aguardar nova manifestação da Justiça quanto aos honorários e sobre quem será o responsável por arcar com o custo do perito.

Algum tempo atrás um leitor do blog perguntou se valia a pena abrir um processo na Justiça. Minha resposta foi: Moralmente, sim. Financeiramente, não. Os honorários dos advogados são elevados e os custos ao longo do processo podem desencorajar o consumidor a iniciar a ação. Você gastará no mínimo dois anos tendo que abrir a carteira para tentar fazer valer seus direitos. E ainda com o risco do resultado não ser favorável. Ao mesmo tempo, é exatamente nisso que empresas como a Renault apostam: nos custos e demora do processo. Minha indignação, no entanto, falou mais alto!

A Renault tentou argumentar que minha reclamação, e consequente processo na Justiça, não era válido. Termos técnicos de lado, a Juíza disse que mesmo que a Renault afirme ter prestado assistência, via concessionária Valec, a Renault também é responsável por eventuais defeitos ou vícios de fabricação. A Juíza, então, exigiu a nomeação de um perito para avaliar o carro.

Isso foi em dezembro. Depois do recesso de final de ano, os trabalhos voltaram no último dia 19. No dia 20 a Juíza deu um prazo de 10 dias para nos manifestarmos em relação aos honorários do perito. E assim, de semana em semana, mês em mês, o processo vai se desenrolando.

Posso estar errado, e nem comentei isso com meu advogado, mas minha torcida é para que, agora que o negócio está ficando sério, a Renault desista de protelar a situação e proponha um acordo. Caso contrário, o carro será avaliado em juízo, e aí não terá como dizer que não há problema algum. Pois se o carro for avaliado e ficar confirmado que há, de fato, defeito de fábrica, a Renault não apenas terá que me devolver o dinheiro gasto como me indenizar por danos morais.

Não é meu interesse ganhar dinheiro com esse processo. Quero apenas devolver o produto e encerrar essa dor de cabeça. Mas tentei fazer isso amigavelmente ainda em 2013 e a Renault não quis. Ela teve sua oportunidade de fazer o que era correto. Agora não está mais nas minhas mãos.

A Renault apresentou suas contestações ao meu processo no começo de setembro. Meu advogado entrou com a réplica. O Juiz então determinou que especificássemos as provas. Apresentamos todas as ordens de serviço, inclusive uma das quais quando Renault segurou meu carro por mais de uma semana para que seu “departamento de engenharia” verificasse o problema no freio. Pelo menos isso é o que a fabricante disse que fez na ocasião, pois uma vez me ligaram depois desse episódio, quando eu ainda não havia aberto o processo e ainda estava tentando dialogar, e disseram que nada constava no sistema. Ou seja, duvído que chegaram a chamar o departamento de engenharia. Mais provável que a Renault e a Valec tenham mentido na cara dura.

Tudo isso aconteceu até o último dia 6 de outubro. Agora é esperar o tal do despacho saneador, quando um perito terá que ser chamado. Ainda terei mais gastos, infelizmente. Mas se a Renault está achando que vou desistir devido às suas medidas protelatórias, está rendodamente enganada. Se ela tem poder de fogo para ir até as últimas consequências, eu sou daqueles persistentes chatos, que não descansa se acredita que está certo. E cinco idas à oficina, pane na injeção e barulhos persistentes no freio me fazem acreditar que estou!

Aguardemos.

Depois de toda tramitação na Justiça, requerimentos e sei lá mais o quê, no começo de julho se esgotou o prazo para a Renault e a concessionária Valec contestarem minha ação. Agora precisamos aguardar o Juíz despachar para então me manifestar, através do meu advogado é claro, sobre eventuais contestações que, diga-se, não sei se foram efetuadas. Pela experiência com a Renault de querer tirar o corpo fora, certamente aconteceu. 

O problema é a demora no despacho. Para processos físicos, que tramitam como papel, a demora pode chegar a cinco meses. O meu processo tramita online, então o prazo poderá ser um pouco menor. Ainda sim, já já meu processo comemora um ano de vida. Eis a aposta das empresas, que contam com a demora do Judiciário para desencorajar possíveis processos.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 168 outros seguidores