O laudo não sai este ano. O recesso do judiciário e mais algumas coisas que o perito precisa fazer jogaram a conclusão para o começo do ano que vem. Muito provavelmente começo de fevereiro.

Mas é claro que o carro não apresentou o barulho no freio quando o perito foi fazer o teste de rodagem ontem, segunda-feira. As constantes falhas na ignição também não mostraram as caras. O desgaste do disco de freio, ao que consta, não era exagerado. E o scan que passaram na injeção não tinha registro de falha.

Tal como sempre aconteceu, não era algo diário, mas o barulho estava lá. Com frequência eu também preciso de três ou quatro tentativas pra ligar o veículo. Meu amigo fez as seguintes observações: “falei com o perito que, como o defeito é intermitente, para ele levar isso em consideração na elaboração no laudo, e que uma volta de 10Km, as vezes, não era suficiente para o defeito aparecer. Espero que ele leve isso em conta no laudo. De resto, identifiquei que tem um vazamento de óleo de motor pelo bujão do cárter e tem um início de vazamento de óleo no compressor do ar-condicionado. Seria bom você verificar se esta garantia ainda, pois se tiver acho que seria bom ver isto”.

O carro tem dois anos, sou super cuidadoso, faço todas as revisões, e já está apresentando defeito de carro velho. Surpresa minha? Claro que não!

Mas agora é esperar o perito cruzar referência com todas as dezenas de ordens de serviço destes dois últimos anos, verificar todas as vezes que a Renault disse ter polido, trocado pastilha e trocado o disco de freio, bem como as vezes em que a injeção precisou ser reprogramada e avaliar se o desgaste condiz com a quilometragem (suponho que ele fará isso).

Seja como for, o carro será vendido. A ideia agora é trocar por um novo, de outra marca, é claro. E se realmente o laudo não apontar problema técnico, então pelo menos não fico com peso na consciência de passar o Sandero pra frente. Quanto aos gastos com honorários, paciência. Como diria minha vó: o que não tem solução, solucionado está.

A perícia está marcada para daqui uma hora. Não poderia levar o carro, então pedi para meu amigo mecânico levar, já que ele iria de qualquer maneira. Eis que ele me liga para avisar que estava a caminho e para me informar que o Sandero estava sem estepe.

Como o estepe fica para fora do carro, embaixo do porta-malas, é muito comum roubarem, ele disse. Só na sua oficina, pelo menos uma vez por semana aparece um Sandero sem estepe. Não sabia dessa questão. E também acabei de perceber que preciso melhorar a frequência com que avalio este ítem básico do meu carro. No caso do Renault Sandero, vai ter que ser toda vez que estacionar o carro em qualquer local que não seja a garagem minha casa. Mais um problema agradável para se preocupar com esse modelo da Renault. 

A perícia, afinal, será realizada na oficina da Renault Valec, na Avenida John Boyd Dunlop, em Campinas-SP. A concessionária é a mesma onde comprei o meu Sandero e a oficina é a mesma onde já levei o carro diversas vezes para tentar resolver o problema no freio.

Para quem começou a acompanhar o blog agora, uma breve recapitulação: Comprei o carro em abril de 2013. Com poucas semanas de uso percebi um barulho no freio (além da partida, que falhava toda hora). A Renault dizia que iria arrumar o barulho, eu levava o carro à oficina, ela dava uma mexidinha aqui e alí mas nunca resolveia problema. Reclamei, tentei Procon e nada. Então entrei com um processo, em dezembro de 2013, para devolverem meu dinheiro. Depois de dois anos finalmente um perito, indicado pelo juíz do caso, irá avaliar o veículo.

Primeiramente escolhi uma oficina de outra concessionária Renault em Campinas, mas seria complicado pedir autorização, talvez pagar pra usar os equipamentos e tal. Os advogados da Renault sugeriram que a perícia fosse realizada na própria oficina da concesisonária Valec. Fiquei com receio, mas meu amigo mecânico disse que quem faz todo o trabalho é o perito, e que outras pessoas podem apenas observar, que é o que ele vai fazer por mim. Em outras palavras, tanto faz onde o trabalho será realizado. Além disso, meu advogado também estará presente. Então, para a escolha da oficina não virar outra novela, aceitei que fosse na casa do adversário.

Segunda-feira terei a palavra final. Se o resultado for favorável a mim, isto é, se o perito concluir que de fato há defeito de fábrica, não só vou querer meu dinheiro de volta, mas também vou pedir indenização por toda a dor de cabeça desses dois últimos anos. Só espero que o perito realize um bom trabalho.

 

 

 

 

Vi que a Renault destacou três engenheiros para acompanhar a perícia no próximo dia 14 de dezembro. Um deles era (ou ainda é, não sei) gerente da concessionária Valec, em Campinas, local onde comprei o carro e para onde levei o Sandero durante as primeiras vezes em que estava tentando resolver a questão. A presença direta dele nessa etapa do processo provoca uma dúvida, um receio sobre se realmente tomei a atitude correta em processar a Renault.

Esse mesmo gerente da concessionária acompanhou minha saga desde minhas reclamações iniciais. Viu as duas primeiras ordens de serviço em que constavam polimento do disco e troca de pastilhas de freio, além da necessidade de reprogramar a injeção por conta das constantes falhas na ignição. Ele estava presente quando o mecânico, na terceira vez que levei o carro à oficina, afirmou que, de fato, havia o barulho.

Foi esse próprio gerente quem, durante a quarta vez que tive que levar o carro à oficina, acionou o departamento de engenharia da fabricante para tentar resolver o problema. Foi com ele quem mantive contato durante os mais de 10 dias em que meu carro ficou parado na oficina sendo “avaliado” pelos especialistas da Renault. Foi ele quem autorizou a consequente troca do disco de freio e que, semanas mais tarde, viu que o problema, novamente, ainda não havia sido resolvido.

Como pode ele, agora, participar da perícia como se nada disso tivesse acontecido? Será que a Renault tem que ir até o final pois qualquer outra atitude seria admitir que estava errada? Mas se for até o final e o perito verificar o defeito, a Renault abre a possibilidade de ter que, além de devolver o valor do carro, pagar uma indenização por danos morais? Ou será que ele aposta que o problema pode ser difícil de ser identificado, ou mesmo um defeito menor que o juíz não irá considerar tão grave? Ou, na pior das hipóteses, eu fui cabeça dura e imaginei uma situação toda que simplesmente não existiu?

Claro que bate um medo de todo esse processo ter sido em vão, de ter gastado dinheiro a toa. Mas aí lembro justamente de todas aquelas ordens de serviços onde a Renault demonstra ter reconhecido o problema e, sem sucesso, tentado resolvê-lo. Lembro de uma nota de serviço posterior, de uma das revisões programadas, já em uma outra oficina autorizada, onde o mecânico aponta a necessidade de tirar rebarbas do disco do freio para sanar o barulho. Lembro de todas as vezes que perguntei para a Renault, sem sucesso, sobre quantas vezes mais teria que levar meu carro até a oficina para resolver o problema, ou de como a fabricante ignorou completamente o Código de Direito do Consumidor ao não devolver o dinheiro depois de um mês sem conseguir resolver o problema. Ou, ainda, de como tudo isso representa uma aposta dela de que a lentidão e o alto custo de um processo normalmente desestimula o consumidor a ir até o final com uma ação.

E assim, com essas evidências nas mãos, tento renovar a confiança de que justiça será feita no meu caso contra a Renault.

 

 

 

O perito (apesar da consulta ao processo ser pública, evitarei nomes) entrou em contato com o meu advogado para agendar a perícia para o dia 14 de dezembro. Segundo consta, o “autor” poderá escolher uma oficina autorizada.

Pelo que entendi, não precisa ser necessariamente em uma oficina da Renault. Vou esclarecer se precisa ser no campo do adversário. Seja como for, já contatei um amigo mecânico para saber se ele pode acompanhar o trabalho.

Só para constar, este processo foi aberto no dia 12 de dezembro de 2013. Dois anos para conseguir realizar algo que poderia acontecer em um mês.

 

Vez ou outra recebo comentários de pessoas que leram esse blog. Algumas compartilham suas próprias experiências negativas com a Renault, outras me agradecem pelas informações que, no final, as ajudaram a decidir por não comprar um Renault. Eis o último diálogo.

Renato:
Meu velho, tive prejuízo com a Renault, pelo fato dela se eximir de suas responsabilidades. Tenho certeza que eles apostam que ninguém terá a perseverança que você está tendo. Sinto que você deve se sentir fazendo papel de bobo, mas torço, de verdade, que você vá até o final, e mostre a esta empresa que a impunidade não é válida em 100% dos casos. Uma coisa você pode ter certeza: tenho 30 anos, sou um brasileiro de classe média, com uma expectativa de vida que beira os 80 anos, segundo o ibge. A Renault nunca mais verá um centavo do meu dinheiro, nem do dinheiro de quem me conhece, e certamente não o de quem ler o seu blog. Força e abraço!

Eu:
Valeu pela força, Renato. Pois é, fui percebendo na marra que essa é a postura da empresa. Faz uma propaganda bonita mas, na hora do “vamos ver”, trata o cliente como lixo. Aposta na lentidão da Justiça e nos altos custos para forçar seus clientes a se conformarem com defeitos nos seus carros. Não sou rico, longe disso, mas minha renda me permite seguir adiante com o processo. Infelizmente muitos não podem optar por esse caminho. Mas pelo menos sei de duas pessoas que deixaram de comprar carro da Renault por conta deste blog. E duas pessoas que não conheço. Isso me dá um certo sentimento de justiça, um pouco mais de ânimo para seguir com a minha ação até o final. Abraço.